Obras de Ficção

E nas Coxilhas não vai Nada (Livro)

E NAS COXILHAS NÃO VAI NADA?

‘‘DE PALA AO VENTO, NA CACUNDA DO TATU’’
E Nas Coxilhas Não Vai Nada? é uma novelinha que nasce, cresce e vive da farsa. Reino do riso solto e do desejo mais desavergonhado. O testamento o vô Tibúrcio chegou pelo correio num pacote feito em couro de tamanduá atado com barbante de linho. Conforme estava escrito, Atalíbio e Felisbina haviam herdado a estância do falecido. Os dois se pilcham e partem para a querência para tomar posse da herança.

Quando chegam no Rincão do Pau Fincado, onde fica a estância, Atalíbio é batizado com sangue e pólvora e se torna o Macanudo do Boitinguaçu. A estância está abandonada, o vento zune pelas frestas do galpão e bate as telhas de zinco. Encontram um boi embretado e uma egüita alazã malacara, que solta um relincho de alegria. Uma ovelhinha com a lã encaracolada pasta na mangueira e a porquinha Alvanira fuça na lavagem. Encontram o sobrinho Gaudêncio.

Na noite de lua cheia, Atalíbio percebe uma transformação tomando conta do seu corpo. Vira lobisomem e se embrenha numa restinga agourenta pra beber sangue, como os heróis de outros tempos. Enquanto isto, Felisbina estica os pelegos no chão e deita com o sobrinho Gaudêncio pra brincar de adivinhação. Tá com fogo na macega e perde a cerimônia, manda Gaudêncio matar a caranguejeira.

Então o céu da tradição desaba e o inferno do pampa abre a porteira. Atalíbio quer seguir os passos do vô Tibúrcio, o degolador que tingiu de vermelho o solo da pátria. Ataca um galinheiro pensando que são os inimigos e é derrotado num revide aéreo por um enxame de camoatins.

O sobrinho Gaudêncio escapa do assédio da titia Felisbina e, de pito aceso, pega a porquinha Alvanira no colo. A beldade tá cheirosa como um jasmim. Gaudêncio acaricia o seu lombinho e chama a bela suína no cabo do martelo. Depois enxerga lá na mangueira, fazendo beicinho, a sua ovelhinha de estimação, a Dalvira. Leva a bela caprina pra trás da taquareira e enfia o quiabo sem passar graxa na forma.

Gaudêncio tinha uma égua, a Celistra. Potranca boa de montaria, trotava leve, com as ancas pequenas e delicadas. No barranco do Passo do Velhaco, prá não levar um laçaço, Gaudêncio prende a cola da egüita delgadinha lá onde a Maruca prende o grampo e confessa. Celistra é o grande amor da sua vida.

“E Nas Coxilhas Não Vai Nada?” é uma sátira picaresca sobre a vida sexual na roça. Narra as andanças e aventuras de personagens que se encontram de frente com uma outra filosofia que não a da alcova. A filosofia prática da vida campeira. Felisbina, Atalíbio, Gaudêncio e companhia encarnam não tanto um gênero, mas sim uma maneira de entender o pampa e, melhor ainda, de viver as suas delícias eróticas e provocativas. 

FICHA TÉCNICA:
Texto: Julio Zanotta
Ilustrações: Juska
Editora: Ao Pé da Letra
Lançamento: 04 de novembro de 1997 
Páginas: 120
CDD: 869.9937-390
CDU: 82(816.5)-39

NA IMPRENSA

Só para divertir o Leitor

Nas Coxilhas... é um trabalho despretensioso , que deve, principalmente, fazer rir e divertir o leitor. Ele mesmo diz ter-se divertido muito enquanto escrevia. "Também quero que as pessoas pensem sobre estes arquétipos do herói rio-grandense e questionem se eles são, mesmo, tão heróis."

Jornal do Comércio

04 de novembro de 1997
Por: Redação Jornal do Comércio